Morro da Conceição e Entorno

"O morro da Conceição é discreto,embora ilustre...
Pouco barulhento, é por isso mesmo ignorado."
(crônica 1948)

Localizado na Saúde, que compõe com a Gamboa e o Santo Cristo parte da zona portuária da cidade, sua ocupação ligou-se, a princípio, à atividade religiosa e militar da Colônia, intensificando-se com a expansão da malha urbana e das relações comerciais com o exterior no século XIX. O casario deste, todo ele datado de mais de cem anos, está sendo preservado pela municipalidade, haja vista ser o dito Morro um precioso remanescente das quatro colinas originais onde surgiu a cidade: Castelo, Santo Antônio, São Bento e Conceição. Estando hoje destruídas.

Em meados do século XVII, a área hoje correspondente aos bairros portuários permanecia isolada pelos morros da Conceição, Livramento, Providência e do Pinto. Apenas a região da prainha e a vertente do morro da Conceição voltada para o morro de São Bento integravam-se à cidade.

Sabe-se que um dos primeiros moradores do morro da Conceição foi o padre Antônio Martins, que por possuir horta de salsa em suas terras, era apelidado de padre salsa.Em 1634, o casal Miguel de Carvalho e Dna. Maria Dantas ergueram uma capela dedicada à N. Sra. Da Conceição em terras que possuíam no morro. O nome pegou. Em 1655, a viúva de Miguel doou a capela à ordem do Carmo que não a quis, sendo doada em 1699 aos capuchinhos franceses, que construíram um hospício ao lado para repouso de missionários. Expulsos do Brasil em 1701 por motivos políticos, funcionou ali depois de 1702, o Palácio Episcopal do Bispado.

O antigo Palácio Episcopal, hoje sede da 5ª Divisão de Levantamento do Serviço Geográfico do Exército, foi ocupado pelo cabido de 1702 a 1912, sendo vendido ao Exército em 1923.Tombado pelo SPHAN em 1938 e restaurado entre 1943/49. Vale lembrar que mais atrás temos a rua do "jogo da bola", assim denominada porque nela se praticava um esporte antepassado de nosso boliche, a bocha.

A Fortaleza da Conceição foi erguida pelo engenheiro francês Jean Masset. Objetivava impedir futuros ataques de inimigos à cidade, haja vista o morro ter sido ocupado em 1711 pelo Corsário francês Reneé Duguay Trouin.

Atrás do morro, ao final da rua do jogo da bola, existe a famosa "pedra do sal", enorme pedregulho com degraus talhados, onde perto existe curioso local de encontro de sambistas e boêmios. Foi antigo porto onde desembarcava o sal para a cidade, então gênero dos mais raros entre nós.

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